Os desafios geopolíticos do Brasil com Trump

Por carlos Dias, Instituto Democracia e Liberdade, 03/02/2025.
A proeminente influência dos Estados Unidos no cenário internacional é evidenciada não apenas por suas capacidades comerciais e militares, mas, sobretudo, por sua habilidade em regular o acesso ao mercado de capitais americano. Este controle se configura como uma ferramenta indeclinável de diplomacia econômica, oferecendo aos Estados Unidos um meio eficaz de exercer influência geopolítica e promover seus interesses estratégicos ao redor do mundo.
A capacidade dos Estados Unidos de facilitar ou dificultar o acesso de um país ao seu mercado de capitais gera implicações profundas para a estabilidade econômica de qualquer nação. A atração de investimentos e a manutenção do equilíbrio financeiro estão frequentemente atreladas a este acesso, tornando o mercado americano um pilar central do sistema financeiro global. Durante a administração anterior do presidente Trump, essa influência foi ainda mais evidente através de políticas comerciais assertivas e sanções econômicas, que foram usadas para promover interesses americanos e pressionar adversários estratégicos.
No que diz respeito às relações internacionais, a competição entre os Estados Unidos e a China exemplifica a utilização do acesso ao capital como um meio de exercício de soft power. Esta dinâmica cria um ambiente em que países como o Brasil devem estrategicamente calibrar suas relações externas para evitar uma dependência excessiva de qualquer superpotência. A China, na visão de alguns burocratas de Brasília, apresenta-se como uma alternativa comercial significativa; entretanto, a complexidade das relações internacionais exige que o Brasil adote uma abordagem cuidadosamente equilibrada. Isso se deve às armadilhas potenciais associadas aos contratos de empréstimo que a China tem estrategicamente utilizado em partes do mundo, onde certas condições levam invariavelmente à dependência econômica e perda de controle sobre ativos estratégicos.
Além disso, a assertividade chinesa em questões geopolíticas levanta preocupações adicionais, tornando irrenunciável que o Brasil mitigue riscos tanto geopolíticos quanto econômicos. O legado das políticas de Trump, que frequentemente utilizavam tarifas e negociações agressivas, ilustra como o Brasil deve estar preparado para lidar com potências que empregam estratégias econômicas para influenciar outras nações.
Ao navegar nesse ambiente de alta complexidade, o Brasil deve assegurar que suas políticas externas e econômicas evitem armadilhas de dependência e promovam uma consistente autonomia. Para o Brasil, é essencial fortalecer o mercado interno e implementar reformas estruturais que incentivem o investimento estrangeiro direto, aumentando assim sua resiliência econômica e autonomia. Ao explorar e diversificar suas relações comerciais e financeiras com um espectro mais amplo de nações, o Brasil assegurará uma posição mais densa e independente no cenário global.
É essencial ter em conta que o verdadeiro poder dos Estados Unidos transcende suas expressivas capacidades militares e comerciais, residindo substancialmente em sua influência sobre o sistema financeiro internacional. Compreender e lidar com essa complexa dinâmica é de caráter essencial para qualquer nação que aspire a uma maior independência econômica e uma presença geopolítica relevante.